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domingo, 20 de fevereiro de 2011
Chamamentos
Nestes dias de ausência, em que tive de cuidar da vinha terrena, tão-pouco descuidei a vinha espiritual. E nas leituras que tenho feito, uma tónica constante: o do chamamento. O chamamento para dar o testemunho de Deus. Pela prática da Sua Palavra em cada dia. Um chamamento que toca a cada um de nós se soubermos ouvir a Voz de Deus nossos corações. Porque "Nem todo que diz 'Senhor, Senhor' entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está no Céu" (Mateus, 7.21).
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Ferramentas
Michelangelo - Criação de Adão. 1508/1512, Tecto da Capella Sistina, Vaticano
Na nossa caminhada em Cristo, podemos muitas vezes perguntar qual o nosso melhor caminho para cumprir a vontade de Deus.
Na verdade, sendo diferentes uns dos outros, também os nossos dons ao serviço do Senhor são diferentes: há os que têm o dom de cantar ou de falar ou, ainda de escrever. Há os que têm o dom de pintar e de esculpir. Esses são os dons mais espectaculares e que mais nos chamam a atenção. No entanto, feitos e entrançados pela mão de Deus (Job 10:8) em cada um de nós existe um dom, por mais discreto que seja, para sermos ferramentas do trabalho de Deus. Esse dom descobre-se quando abrimos o nosso coração a Jesus e deixamos que a Palavra de Deus tome posse de nós. Esse dom descobre-se quando temos a humildade e a coragem de deixarmo-nos guiar por aquilo que Deus fala ao nosso coração.
"Todos os dias da minha vida são recordados no Teu Livro, Senhor. Todos os momentos foram expostos antes que tenha passado um único dia" (Salmos 139:16). Todos os dias somos desafiados por Deus para O servirmos naquilo, o que quer que seja, que soubermos fazer melhor, porque somos as ferramentas de Deus, unidas em Cristo, afim de realizarmos as boas obras (Efésios 2:10). Aceitemos pois o desafio e sejamos instrumentos de Deus no mundo dos homens.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Uma vinha especial
Vindimador - Pintura românica do panteão dos Reis, tecto da Basílica de San Isidoro, León, Espanha
Na pregação, Jesus usa com frequência as metáforas de a vinha e as videiras, em que a planta representa a Igreja, no sentido do conjunto dos cristãos, em comunhão com Ele. De facto, é uma comparação muito feliz, porque a videira para dar bons frutos tem de ser cuidada constantemente. Assim, a vida dos cristãos: um trabalho constante, porque o cristianismo não é um rótulo, mas uma forma de estar na vida.
Cristianismo não é essa estranha afirmação, muito comum na esfera dos países maioritariamente católicos: 'católico não-praticante'; nem, tão-pouco, consta em apenas ir à igreja, pelo menos uma vez por semana e debitar umas quantas orações conhecidas de cor e nas quais nem se pensa quando se as repete. Não. Ser-se cristão é viver intensamente em cada momento a palavra de Jesus.
Jesus compara a sua relação connosco ao tronco da videira e as suas varas. "Eu sou a videira, vós sois as varas; quem está em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto porque sem Mim, nada podeis fazer" (João 15:5).
Com efeito, saindo as varas do tronco, estas nada são por si só. E o tronco sem as varas também não pode dar fruto. Tronco e varas foram um único que, em permanente cuidado, dão bons frutos.
Para se estar em Jesus, não é preciso nenhum ritual, nenhuma fórmula mágica ou passe de magia: basta amá-Lo e amá-Lo é tornar Jesus o centro da nossa vida, deixar os Seus ensinamentos tomar conta do nosso comportamento, da nossa maneira de ser e de estar na vida, de nos relacionarmos com os outros, do nosso mundo espiritual.
E as varas frutificarão...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Um trabalho paciente
Deus testa a nossa espiritualidade, a nossa Fé, tal como permitiu que Satanás testasse a fé de Job (Job 1.12). Em cada teste com que somos confrontados, temos a oportunidade de crescer espiritualmente: corrigindo onde ainda erramos, mudar, sob a inspiração dos ensinamentos de Jesus, de homem velho em homem novo, tantas vezes referido pelo apóstolo São Paulo.
A mudança que os cristãos esperam e na qual devem trabalhar não é, no entanto, um processo rápido, apressado, tão ao gosto dos tempos de hoje, das 'auto-estradas da informação', do imediatismo do tempo real. Não. O trabalho que Deus opera em cada um de nós, complementar do nosso esforço de mudança através de Cristo, é paciente, muitas vezes mal visível em pequenas coisas, mas que está lá, tal minúscula semente de mostarda que se transforma na frondosa árvore (Mateus 13:31-32).
Um trabalho, por vezes ténue como uma neblina matinal, mas que crescerá mediante a grandeza da nossa Fé em Deus, onde chegaremos à maturidade verdadeira - medida de desenvolvimento que nos é dada pela "estatura completa de Cristo" (Efésios 4:13). Um processo em que, ainda segundo o apóstolo São Paulo, "as nossas vidas gradualmente se tornam mais luminosas e mais belas tanto quanto Deus entra nelas e nos tornam-nos como Ele" (2 Coríntios 3:18).
O Teste
Os canais de televisão enchem-nos constantemente de concursos, onde os concorrentes mostram os seus conhecimentos enciclopédios, as suas habilidades ou, mesmo, os seus comportamentos. Todos buscam um fim, que é o prémio, maioritariamente em dinheiro.
Também todos nós e os cristãos em particular, enfrentamos no nosso dia-a-dia o teste posto por Deus. Não são só as dificuldades materiais que temos de vencer para atingirmos um nível de vida decente ou mesmo a sobrevivência apenas, mas, acima de tudo, as dificuldades espirituais e morais.
Deus fez-nos à Sua imagem e semelhança mas igualmente nos deu o livre arbítrio (Genesis 4:7), pelo qual somos livres de escolhermos o caminho que quisermos. E é nessa escolha que Deus nos testa, desejando que passemos o teste, que sejamos merecedores de alcançarmos a Sua Graça.
E porque nos testa e ao mesmo tempo nos ama, Deus mantém a promessa e não nos deixa enfrentar dificuldades, por maiores que sejam, que estejam para além das nossas forças Apresenta-nos o teste, mas também nos dá forças para o enfrentarmos (1 Corintios 10:13). Sendo testados, conhecemos as nossas forças e conhecendo as nossas forças, mais fortes nos tornamos, com a certeza de que tudo nos é possível, mas nem tudo nos é permitido (1 Corintios 6:12). E a força advém da Fé. Da Fé e do Amor que temos para com Deus, confiando-nos totalmente na Sua protecção (Mateus 6:25-34)
Também todos nós e os cristãos em particular, enfrentamos no nosso dia-a-dia o teste posto por Deus. Não são só as dificuldades materiais que temos de vencer para atingirmos um nível de vida decente ou mesmo a sobrevivência apenas, mas, acima de tudo, as dificuldades espirituais e morais.
Deus fez-nos à Sua imagem e semelhança mas igualmente nos deu o livre arbítrio (Genesis 4:7), pelo qual somos livres de escolhermos o caminho que quisermos. E é nessa escolha que Deus nos testa, desejando que passemos o teste, que sejamos merecedores de alcançarmos a Sua Graça.
Joseph Turner 1775/1851 - Dutch Boats in a Gale. National Gallery, London
domingo, 2 de janeiro de 2011
Vale a pena preocuparmo-nos com o próximo?
Imagem de: http://www.ecclesia.com.br - Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
É nestes momentos de desalento que devemos reflectir - não nos importando com os outros e os seus actos, mas apenas connosco mesmo - em que fomos criados por Deus, à Sua imagem e semelhança, com o objectivo de praticarmos as boas obras, previamente preparadas por Ele e que reflectem a Sua vontade (Efésios 2:10).
Nas boas obras criadas por Deus servimo-Lo através do próximo, preocupando-nos, no espírito do Amor em Jesus, com cada um daqueles que nos rodeia, porque, através da Fé, todos fazemos parte do Corpo de Cristo, sendo cada um de nós um membro seu (Romanos 12:15).
E preocupando-nos com cada um que nos rodeia, preocupam-nos com Deus e também contribuímos para uma sociedade mais harmoniosa, suportável e justa. Cada um de nós com a nossa pequena parte, o Corpo de Cristo, com a Jerusalém celestial, a comunidade dos crentes.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Servir a Vontade de Deus
Constantemente somos exortados a cumprir a vontade de Deus. Porém, como o fazer?
Há muitas formas de servir a vontade de Deus, porque ela também se manifesta de muitas formas. Há aqueles mais voltados para a vida complativa, para a meditação: servem a Deus através do pensamento. Mas há também aqueles mais voltados para a vida activa, que servem a Deus com as suas obras. Mas, seja com o pensamento, seja com as obras, em todos está presente um outro factor: o da oração ao Pai, o 'cimento' que dá significado a todo o acto.
Servir a Deus é também servir ao próximo, serventia esta simbolizada no Cristo lavar os pés aos apóstolos, na Última Ceia.
O apóstolo Paulo, numa das suas cartas ao bispo Timóteo de Eféso tem uma frase interessante: "Nenhum soldado em campanha se embrenha em outros negócios, para agradar a quem o alistou" (2Timóteo 2:4. Assim como o soldado deve evitar os assuntos secundários que estorvam a sua missão principal, também nós, com o sentido na vontade de Deus, não nos devemos prender com aquilo que nos impede a perfeição cristã, sobretudo o orgulho, a avareza, o aspecto mundano e material da vida.
Servir a Deus é servir ao próximo, sem olhar a outras serventias e na humildade do Amor, pois não há pior engano que aquele que julga ser alguém, sem nada ser (Gálatas 6:4)
E como servir ao próximo? Essencialmente, estando atento às suas necessidades, não apenas as materiais, mas sobretudo espirituais, emocionais, psicológicas. Por vezes, basta levar uma palavra de conforto solidário a quem sofre para ser suficiente para cumprir a vontade de Deus.
Não há, tãopouco, um 'quando' especial, a 'quadra do natal' esquecida no resto do ano, porque se esperamos esse momento apropriado de condições perfeitas, nunca faremos nada (Eclesiastes 11:4). É em todo o momento e para com todos, começando no círculo de relações de cada um: família, vizinhos, emprego (Gálatas 6:10) que somos convidados pelo Senhor a caminharmos em direcção a Ele.
Há muitas formas de servir a vontade de Deus, porque ela também se manifesta de muitas formas. Há aqueles mais voltados para a vida complativa, para a meditação: servem a Deus através do pensamento. Mas há também aqueles mais voltados para a vida activa, que servem a Deus com as suas obras. Mas, seja com o pensamento, seja com as obras, em todos está presente um outro factor: o da oração ao Pai, o 'cimento' que dá significado a todo o acto.
Servir a Deus é também servir ao próximo, serventia esta simbolizada no Cristo lavar os pés aos apóstolos, na Última Ceia.
O apóstolo Paulo, numa das suas cartas ao bispo Timóteo de Eféso tem uma frase interessante: "Nenhum soldado em campanha se embrenha em outros negócios, para agradar a quem o alistou" (2Timóteo 2:4. Assim como o soldado deve evitar os assuntos secundários que estorvam a sua missão principal, também nós, com o sentido na vontade de Deus, não nos devemos prender com aquilo que nos impede a perfeição cristã, sobretudo o orgulho, a avareza, o aspecto mundano e material da vida.
Servir a Deus é servir ao próximo, sem olhar a outras serventias e na humildade do Amor, pois não há pior engano que aquele que julga ser alguém, sem nada ser (Gálatas 6:4)
E como servir ao próximo? Essencialmente, estando atento às suas necessidades, não apenas as materiais, mas sobretudo espirituais, emocionais, psicológicas. Por vezes, basta levar uma palavra de conforto solidário a quem sofre para ser suficiente para cumprir a vontade de Deus.
Não há, tãopouco, um 'quando' especial, a 'quadra do natal' esquecida no resto do ano, porque se esperamos esse momento apropriado de condições perfeitas, nunca faremos nada (Eclesiastes 11:4). É em todo o momento e para com todos, começando no círculo de relações de cada um: família, vizinhos, emprego (Gálatas 6:10) que somos convidados pelo Senhor a caminharmos em direcção a Ele.
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